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A pisar o tapete da Octane … Durante anos disseram-nos que o futuro do automóvel seria elétrico… Silencioso… Racional… A Lamborghini ouviu tudo com atenção. Desenvolveu uma bateria... Instalou três motores elétricos... Criou um sistema híbrido plug-in... E depois, provavelmente preocupada com a possibilidade de tudo aquilo começar a fazer demasiado sentido, colocou um V12 atmosférico de 6.5 litros no meio. Bem-vindos ao Lamborghini Revuelto ... Durante quase sessenta anos, a linhagem V12 de Sant’Agata escreveu-se com nomes como Miura , Countach (Também vamos receber um...), Diablo , Murciélago e Aventador . O Revuelto tinha uma missão particularmente ingrata, substituir o Aventador numa época em que um V12 parecia ter passado de símbolo de engenharia a um problema de relações públicas. A Lamborghini podia ter reduzido cilindrada... Podia ter colocado turbos... Podia até ter desistido dos doze cilindros... Não fez nenhuma dessas opções... Criou um novo V12 atmosférico de 6.498 cm³, capaz de produzir 825 cv às 9.250 rpm, juntou-lhe três motores elétricos e chegou aos 1.015 cv de potência combinada. Percorre os 0 aos 100 km/h em 2,5 segundos... Mais de 350 km/h... E, pela primeira vez num Lamborghini V12 , uma caixa de dupla embraiagem de oito velocidades. Chamaram-lhe eletrificação. Nós preferimos chamar-lhe uma excelente desculpa para manter o V12 vivo. Porque esse é talvez o verdadeiro significado do Revuelto . Não é o Lamborghini que abandonou o passado para sobreviver ao futuro... É o Lamborghini que decidiu levar o passado consigo. Este exemplar, MY25, foi configurado pela Lamborghini Lisboa e matriculado no corrente mês de setembro de 2026. Ou seja, estamos perante algo cada vez menos habitual neste mercado, um Revuelto absolutamente novo em histórico de matrícula, já disponível e sem a conversa do “prazo estimado de entrega”. E a configuração merece que se invista algum tempo na interpretação. A pintura é Ad Personam Rosso Bia . Não “vermelho”... É Rosso Bia , cuja pintura representa €17.690,40 na proposta original. Depois alguém continuou a carregar no configurador… talvez o Rui , talvez o Vasco ... Jantes forjadas Altanero 21"/22" Bronze Diamond Cut... Lower Exterior Carbon Package em carbono brilhante... Upper Style Package em High Gloss Black... Bocca Nera... Ponteiras de escape em preto mate... Logótipo Lamborghini traseiro em preto mate... Pinças carbocerâmicas Nero Lucido... E, por dentro, Nero Ade e Rosso Alala, cintos vermelhos, costura invertida, logótipos bordados nos encostos e Q-citura em contraste... Carbono no interior... Carbono no volante... Soleiras em carbono mate iluminadas... Passenger Display... Sistema de som High End... Bancos totalmente elétricos e aquecidos... Full High Assistant Package... Parking Pack... Lamborghini Vehicle Tracking System... E extensão de garantia Lamborghini até ao 5.º ano... No total? €129.137,58 em opcionais... (Sim... Cento e vinte e nove mil euros em opcionais). Há apartamentos que ficam nervosos quando ouvem esta conversa, mas a proposta provisória emitida pela Lamborghini Lisboa em janeiro de 2025 colocava esta configuração, já com impostos e encargos então previstos, nos €796.145,67. Quase oitocentos mil euros antes de alguém percorrer o primeiro quilómetro com matrícula. E é precisamente aqui que o Revuelto começa a fazer sentido… dentro daquilo que é possível usar a palavra “sentido” num automóvel com 1.015 cv e portas que abrem para cima. Porque não se compra um Lamborghini destes por necessidade. Compra-se porque ainda existem objetos capazes de nos fazer parar a meio de uma conversa para olhar. Faça favor… Tenha a gentileza… Olhe novamente para as fotografias. A frente parece ter sido desenhada com uma régua, um caça e algum ressentimento. As portas continuam a fazer aquilo que um Lamborghini V12 deve fazer desde o Countach… sobem... A traseira deixa o V12 praticamente exposto, como se escondê-lo fosse uma falta de educação. E no interior há ecrãs, carbono, modos de condução e tecnologia suficiente para justificar uma formação… mas continuamos a ligar tudo através de uma tampa vermelha que parece ter sido roubada a um míssil. Não há duvida nenhuma... Isto continua a ser Lamborghini . Só que agora a Lamborghini aprendeu física quântica. O sistema híbrido permite-lhe ser mais rápido, mais eficaz e tecnologicamente mais sofisticado do que qualquer antecessor. Mas há uma pequena maravilha no centro de toda esta complexidade, quando se carrega naquele botão… Doze cilindros continuam a acordar atrás de nós... E talvez, daqui a alguns anos, seja exatamente isso que recordaremos desta geração. Não o facto de ter sido o primeiro Lamborghini V12 híbrido . Mas o facto de, quando chegou a altura de escolher entre tradição e futuro… A Lamborghini se ter recusado a escolher. Ficou com os dois!! Consulte-nos!!! Nota do Editor: É curioso chamar “híbrido” a um automóvel que passa dos 350 km/h. Mas talvez essa seja precisamente a genialidade do Revuelto . A eletrificação não chegou aqui para pedir desculpa pelo V12. Chegou para garantir que ele podia continuar! O futuro poderá ser elétrico. Felizmente, ninguém disse que tinha de ser silencioso...
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